De perto ninguém é normal

Para tornar a realidade suportável, todos temos de cultivar em nós certas pequenas loucuras – Marcel Proust (1613-1680)

Reflexões sobre o destino

Publicado por gabrielspera em agosto 3, 2010

Nós seres humanos temos a necessidade de acreditar que estamos predestinados a algo. Que existe um destino traçado. Veja qualquer religião, culto, ou até mesmo horóscopo, cartomantes e demais esotéricos. Quando temos uma dúvida sobre o que devemos fazer, qual caminho seguir buscamos conselhos em qualquer lugar: família, amigos, terapeuta, igreja, etc.

Vamos pensar um pouco sobre isso. O conceito de livre arbítrio. Todo momento, tomamos decisões que irão afetar não só nossa vida, mas outras indiretamente, e ainda teremos que enfrentar as conseqüências provenientes. Mas será que realmente temos o livre arbítrio? Será que entre todas as inúmeras decisões que tomamos diariamente qual a probabilidade de ela não já estar determinada? Será que somos totalmente livres?

Vou aqui tomar o exemplo de alguns filmes/séries que ajudam a ilustrar este conceito, e que me fizeram refletir sobre este assunto. Primeiro, no filme Cruzada, aquele com o Orlando Bloom (que fique claro que não estou julgando/criticando) em um diálogo com o rei cristão, questionam exatamente o conceito deste post. As pessoas podem seguir ordens, mas a alma é da pessoa (no limite nós que temos que decidir). Não podemos encarar Deus, e justificar nossas ações, simplesmente dizendo “estava seguindo ordens”.

Usando um exemplo mais recente, a série Flashforward,, mas um determinado dia, todas as pessoas no mundo viram o futuro, ou seja, o que estavam fazendo na mesma data. Assim inicia-se a trama, as pessoas tendendo entender quais as conseqüências, se realmente tudo irá acontecer conforme previsto. Não vou aqui discutir o paradoxo da profecia auto realizável. Mas existe um episódio onde um dos agentes do FBI encarregado de investigar o evento, descobre em sua visão que uma pessoa que ele ainda não conhece irá morrer, por sua culpa. Após refletir sobre o assunto, e até o momento todas as visões estavam se tornando realidade, ele decidiu mostrar que existe sim o livre arbítrio, que nosso destino não está traçado. O agente descobre a identidade da pessoa e seu endereço, e envia uma carta explicando toda a situação. Então realiza o sacrifício supremo. Dá a sua vida em troca que a pessoa da sua visão possa viver. E deixa claro para todos que o destino pode ser mudado, não importado se já sabemos o que vai acontecer, no final a decisão será nossa. Conclusão bem similar ao diálogo do filme Cruzada. E tudo a ver com o tema.

Vale refletir um pouco sobre isso. Será que temos realmente uma opção? Será que nosso caminho já está escrito?

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